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Introdução
Foi numa segunda feira que fui encontrar, na minha caixa de correio (real!), o envelope do Apple Developer Mailing com a nova versão do Mac OS X. Tudo estava a postos para a instalação, bastou fazer um pequeno backup com aqueles ficheiros que utilizamos diáriamente, e vamos a isto. As vítimas foram um G4/450 Mhz e um Powerbook G3/500 Mhz. Em ambas as máquinas, formatei o disco e instalei o Jaguar de raíz. Foi logo aqui que encontrei a primeira novidade: o processo de instalação foi bastante melhorado, permitindo agora três modos de instalação: Clean Install (à boa maneira do Mac OS 9, a antiga directoria System fica com outro nome e é preservada no disco, e uma nova é instalada), Upgrade (instalar por cima de uma verão mais antiga do sistema) e Archieve and Install. Esta última guarda as informações relativas aos utilizadores do sistema, assim como as suas home directories, mas vai mais além, guardando também algumas definições do sistema, como as opções relativas á configuração da rede, por exemplo. O pacote do Jaguar é composto por 2 CDs de sistema, e mais um de Developer Tools. O MacOS 9, ao contrário das verões anterioes do Mac OS X, não vem incluído. Para correr o Mac OS 9 no ambiente Classic, é necessário ter (ou adquirir) uma cópia do Mac OS 9.1 ou superior. A instalação decorreu sem nenhum problema nas duas máquinas. Bastou arrancar pelo primeiro CD do Jaguar, e o sistema base é instalado. De seguida, o Mac faz um reboot, e arranca já pelo disco. Se for necessário, pede o segundo CD, e copia os ficheiros necessários desse CD para o disco. Seguidamente, sem ser preciso reboot, aparece o assistente de configuração a que o Mac OS X já nos habitou, permitindo criar a conta de Administrador de sistema, configurar algumas preferências da máquina, convidar-nos a experimentar o novo serviço .Mac com uma conta que funciona durante 60 dias (depois, é a pagar), e amavelmente sacar-nos os dados pessoais, para enviar para as bases de dados da Apple. Assistente preenchido, e aí está o sistema pronto a funcionar, sem ser preciso nenhum reboot, claro. Novidades O Jaguar traz bastantes novidades, sendo algumas das mais importantes invisiveis ao utilizador comum. Desde pequenos melhoramentos na interface, até significativas alterações nos bastidores do sistema, há de tudo. Quanto à interface, a primeira novidade é visivel mesmo antes do sistema arrancar: o símbolo do Happy Mac, que nos acompanhava desde a primeira versão do Mac OS no primeiro Macintosh, e que foi ganhando cor e alguma sensação de volume ao longo dos anos, desapareceu. Em vez disso, a máquina apresenta um fundo cinzento claro, com o logotipo da Apple cinzento escuro centrado no monitor. Pouco depois, aparece por baixo da maçã um pequeno gráfico com uma animação para encher o olho ao utilizador enquanto as camadas mais baixas do sistema são carregadas para memória. De seguida, o habitual logotipo do Mac OS X com a barra de progresso é apresentado até o sistema estar pronto a funcionar. Os mais prespicazes notarão de certeza que o arranque do sistema está bastante mais rápido. E é verdade: em vez de arrancar os vários serviços de sistema sequencialmente, estes são agora executados em paralelo. Logo, todos aqueles momentos em que o Mac estava parado à espera de resultados vindos da rede, por exemplo, são agora utilizados para outros serviços irem arrancando, tornando o tempo de arranque muito inferior. Nota para os power users e developers: a sequência de arranque é determinada através de uma hierarquia de precedências. Logo, convém ter cuidado com isso, visto que a ordem de arranque agora não é fixa. Se desenvolverem algum script ou módulo para o arranque de sistema, garantam que em TODAS as situações o vosso módulo é lido apenas depois de todos os outros de que ele necessita terem sido lidos com sucesso. Já agora, se acha que um Mac sem o Happy Mac nao é um Mac, pode utilizar o hello Jaguar para repôr o Happy Mac no arranque do sistema! :-) Depois do arranque, aparece o normal desktop com a omnipresente dock. A primeira alteração visível é que o fundo da dock é agora liso. Alguns dias de utilização do Jaguar permitem-me já concluir que a dock está bastante mais rápida a reagir ao utilizador, sobretudo em momentos em que o computador está bastante carregado. Em situações em que, no Mac OS X 10.1, era quase impossível abrir um menu a partir de um icone na dock devido à lentidão, o Mac OS X 10.2 porta-se bastante bem, e isto mesmo sem utilizar o Quartz Extreme. Aínda no desktop e no Finder vêm-se outras novidades, como o efeito das janelas a abrir (por exemplo, ao carregar duas vezes no icon de um disco, a janela cresce a partir do icon, utilizando o efeito Scale também existente na dock, a uma velocidade surpreendente (e, volto a dizer, sem o Quartz Extreme!). Existem mais algumas preferências de visualização das janelas do Finder, que permitem aumentar o tamanho da font utilizada no nome dos ficheiros, e colocar esse nome no lado direito dos icones. Finalmente, uma das alterações mais esperadas, as spring-loaded-folders, já existem no Jaguar! Não com tanta funcionalidade como no Mac OS 9, é certo, mas exitem. É possível agora arrastar um documento para uma pasta, e ela abre-se, mostrando o seu conteúdo, e ir fazendo isto sucessivamente até chegar à pasta desejada. Quando se larga o documento, todas as pastas abertas nesse processo são fechadas automaticamente, menos a última. Confuso? Experimente num Jaguar perto de si! :-) ![]() Um sitio óptimo para encontrar novas funções do Jaguar é a janela das System Preferences. ![]() Começando logo pelo Desktop, é possível configurar o sistema para alterar o background de X em X minutos (ou segundos!). Para as máquinas que permitem correr o Quartz Extreme, a mudança de fundo é feita com uma suave transição em fading... para as outras, uma mudança brusca é, infelizmente, o melhor que se consegue. Outro pormenor interessante pode ser encontrado na secção General. Existem agora quatro métodos de font smoothing, a suavização dos tipos de letra no monitor. Standard, Light, Medium e Strong. A Apple recomenda a Standard para monitores CRT e a Medium para monitores TFT. Todos os métodos, menos o Standard, utilizam a técnica de sub-pixel rendering, em que as três cores do monitor são utilizadas separadamente para, efectivamente, triplicar a resolução horizontal do monitor e produzir o efeito de suavização. Pelo que percebi, é necessário fazer um logout/login para ver o efeito desta alteração, tornando dificil a comparação. Recomendo que o leitor consulte o exemplo incluído no artigo da ArsTechnica, no qual é possível ver o mesmo texto suavizado pelos quatro métodos lado a lado. Escolha aquele que, do seu ponto de vista, ficar melhor no seu monitor. Na secção International das preferências de sistema, foi acrescentado uma opção para o utilizador poder escolher o sistema de medições a utilizar: métrico ou standard. Escapa-me porque é que o sistema americano é que é o standard, com aqueles padrões cientificamente determinados, tal como os pés, polegadas, etc... mas enfim, podemos escolher o sistema métrico a nível global do sistema, o que é bastante bom, e essa opção já se reflecte em algumas aplicações, como por exemplo no TextEdit, em que a toolbar aparece no sistema correcto. Existe uma nova secção nas System Preferences, CD & DVDs, que permite escolher o que fazer quando se inserem determinados tipos de media. ![]() Esta caracteristica dá algum jeito. Por exemplo, se não gosta que o iTunes arranque quando insere um CD de música, ou se gostaria que o Toast fosse lançado automaticamente quando insere um CD ou DVD virgens, basta escolher essa opção nos menus. Quanto ao Enery Saver, existe finalmente uma melhor gestão de energia nos Powerbooks. O sistema já tem quatro settings definidas: Highest Performance, Longest Battery Life, DVD Playback e Presentations. O utilizador pode definir a sua própria configuração, existindo opções diferentes para quando o powerbook está ligado à corrente, ou para quando depende apenas da bateria interna. Para quem tem um rato com scrool-wheel, é possível agora definir a velocidade de scroll, na secção Mouse. A secção Sound apresenta melhorias interessantes. Para já, podem-se ligar os Interface Sound Effects, que são uma espécie de Sound Themes do OS 9... ou seja, algumas operações de interface, como colocar um item no Trash, são acompanhadas por um som. No entanto, há muito poucas operações sonoras... a maior parte do sistema continua silencioso. É possível também desligar o feedback quando se carrega nas teclas de subir ou descer o volume do som, o que pode ser bastante agradável em algumas ocasiões. Mas a melhoria mais importante é o regresso do Input sonoro, ausente desde os OS 9! Já é possível escolher a entrada de som a utilizar, e, em conjunto com o programa Audio Midi Setup (disponível em /Applications/Utilities), é possível fazer Play Through e definir outras opções relativamente a som e equipamento MIDI disponível no sistema. Que eu veja, aínda não existe nenhum programa no sistema que permita gravar som... é necessário recorrer a software de outros fabricantes para isso. A secção Internet está ligeiramente modificada, de modo a integrar melhor o novo serviço .Mac. A maior novidade é uma melhor gestão do iDisk. A secção Sharing é uma das que apresenta mais novidades. Está dividida em três tabs. ![]() O primeiro tab apresenta todos os serviços disponíveis no sistema, permitindo ter uma ideia muito rápida dos serviços que estão a funcionar. As duas grandes novidades são o Windows File Sharing (que permite a máquinas Windows acederam ao Mac através do protocolo de file sharing de Windows), e o Printer Sharing (que permite partilhar impressoras ligadas ao Mac pelos outros da rede local), que será descrito mais adiante. ![]() O segundo tab permite ligar a firewall interna do MacOS X, permitindo uma maior protecção contra ataques externos, sobretudo em máquinas que estão permanentemente ligadas à Internet, em redes locais ou através de ligações por Cabo ou ADSL. ![]() O terceito tab permite ligar o serviço de Internet Sharing, permitindo partilhar uma ligação à Internet por vários computadores. No entanto, este serviço ainda deixa muito a desejar... existem dois grandes problemas, a meu ver. O primeiro é o serviço não se manter ligado após um reboot da máquina. Logo, é necessário, cada vez que o computador arranca, abrir o System Settings, vir até ao Sharing, carregar na terceira tab e ligar o serviço... que raio terá passado na cabeça do tipo que desenhou isto? Enfim... o segundo problema é bem mais grave. A configuração dos clientes é feita através de DHCP, ou seja, ao ligar o Internet Sharing, o Mac que faz a partilha torna-se um servidor de DHCP ele próprio. Se o Mac só tiver uma placa de rede, se estiver a partilhar a ligação através dela, e se estiver ligado à Internet por Cabo ou ADSL, o servidor DHCP do Mac pode colidir com o servidor DHCP do ISP, o que dá uma bronca muito grande... o ISP pode mesmo impedir o acesso do cliente e desligá-lo da rede. A Apple não se esqueceu disto, visto que é mostrado um aviso quando o sistema se encontra nestas condições. Sendo assim, porque não existe uma opção para tornar a configuração dos clientes manual? Enfim, este painel de settings aínda precisa de algum trabalho... pessoalmente, acabei por recorrer ao terminal para configurar o serviço de Internet Sharing (ou NAT, mais exactamente), bem menos amigável, mas faz exactamente o que eu quero. Outra razão para se ter os clientes configurados manualmente, com IPs fixos, é poder fazer uma ligação de FTP para um cliente, por exemplo. Se o IP da máquina fôr dinâmico e mudar com frequência, esta operação torna-se bastante mais complexa. Existem mais algumas opções novas nas Settings do sistema, mas vamos deixar algo para o leitor descobrir, quando instalar a nova versão do sistema! :-) High-tech Como se viu até agora, o sistema apresenta grandes novidades a nível de utilização. No entanto, algumas das inovações mais importantes do Jaguar estão lá por baixo, muitas ao nível do UNIX que constitui a base do Jaguar. Vamos começar por duas que até estão bem à vista: o Quartz Extreme e o InkWell. O InkWell permite usar uma tablet para escrever texto à mão, sendo este automaticamente reconhecido pelo computador. Infelizmente não pude testá-lo, visto nao ter uma tablet. Visto que muito pouca gente tem tablets, e que muitos dos que têm, preferem escrever no teclado, qual a utilidade do InkWell? Talvez a Apple esteja a preparar algo novo, sem teclado, e que use o InkWell como input de texto, tal como um PDA ou um Pad... O Quartz Extreme, que já foi referido neste texto várias vezes, é algo bastante interessante. A interface do Mac OS X é bonita, moderna, mas por outro lado está cheia de transparências, imagens em movimento, a dock com todas as suas animações, etc. Todos estes efeitos pesam no processador da máquina, e por vezes fazem-na funcionar a velocidades quase inaceitáveis. Imagine se pudesse pegar em todo o processamento gráfico e passá-lo para outro processador... é exactamente isso que faz o Quartz Extreme. Através de aceleração OpenGL, utiliza o controlador da sua placa gráfica para fazer o processamento gráfico, libertando o CPU para outras tarefas. Resulta? Parece que sim, pelo menos a Arstechnica obteve resultados interessantes. O unico problema é que isto não é para todos... é preciso uma placa gráfica recente. Uma ATI Radeon com pelo menos 16 MBytes de memória, ou melhor, ou então qualquer GeForce 2 ou superior. Como, infelizmente, não tenho a sorte de possuir um destes monstros, não pude testar o Quartz Extreme. Quanto a comunicações, muita coisa nova. O Jaguar já suporta IPv6, uma nova versão do protoclo IP, que está na base de toda a Internet. A maior vantagem do IPv6 vai ser o suporte de endereços de 128 bits, o que resolve o problema da falta de endereços IP actual. O IPv6 permite a existência de exactamente 340 282 366 920 938 463 463 374 607 431 768 211 456 endereços IP... devem chegar! Outra tecnologia que integra o Jaguar é o IPSec, um protocolo que permite uma maior segurança, sobretudo em VPN (Virtual Private Nerworks) e redes wireless. O Jaguar inclui também um sistema chamado Rendezvous. Este sistema permite uma configuração e funcionamento totalmente automaticos dos computadores e periféricos em rede, através de TCP/IP, à boa maneira da AppleTalk. Lembra-se de como era com a AppleTalk, em que bastava ligar os cabos e tudo estava instantaneamente na rede, e a comunicar? O Rendezvous permite fazer isto, mas usando TCP/IP. Não é necessário ter uma rede TCP/IP interna a funcionar... basta ligar os cabos, e tudo funciona, como que por magia, e tal como na AppleTalk, mas através de TCP/IP. Uma grande vantagem do Rendezvous é ser uma implementação de tecnologias públicas, sendo mais fácil para os fabricantes de periféricos a integração e implementação dessas tecnologias, de modo a funcionarem com o Jaguar sem ser necessário qualquer configuração. Quanto à impressão, o Jaguar vem agora equipado com o CUPS, o Common UNIX Printing System. O CUPS é bastante poderoso no que toca a gerir a impressão, e pode dar uma espreitadela na interface do sistema, abrindo um browser e vendo o endereço http://localhost:631, desde que esteja a correr o Jaguar, claro. A maior vantagem do CUPS é permitir uma excelente gestão de partilha de impressoras na rede, permitindo ao Jaguar fazer Printer Sharing, podendo uma máquina partilhar as impressoras que tem ligadas com as outras máquinas. Se por exemplo tem uma impressora USB ligada ao Mac, basta ligar o Printer Sharing, e todos os Macs na rede local passam a poder utilizar essa impressora. Basta ir ao Print Center nos outros Macs, e a impressora partilhada está lá listada, como que por magia. Finalmente, para os programadores, também há boas noticias, sendo a mais importante a presença do gcc 3.1. Existem outras, como a aceleração gráfica ao utilizar o Swing no Java, ou a possibilidade de utilizar janelas metalizadas (como as do iTunes, por exemplo) nos seus programas, através de um dos atributos de configuração da janela (pode ser mudado com um click no Interface Builder!). Conclusão Utilizo o Jaguar há uma semana, e estou bastante contente com ele. Ainda não tive um unico crash de sistema, e a performance e responsividade do sistema está melhor do que no Mac OS X 10.1. Aínda ha pormenores a melhorar, mas globalmente o Jaguar é um sistema muito interessante, poderoso, agradável de utilizar, rápido e muito estável. Recomendo o upgrade, vale a pena. Referências Apple
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